Lysandre
Fat Possum Records, EUA, 2013
Faixas de destaque: “New York City”, “Here We Go Again”, “Riviera Rock”, “Love Is In The Ear Of The Listener”
Christopher Owens parece ser um cara bastante solitário: passa horas passeando sozinho quase diariamente pelo Golden Gate Park, em San Francisco, a cidade para onde se mudou em busca de uma carreira como pintor. O plano inicial mudou e ele se tornou guitarrista da banda de apoio de Ariel Pink, antes de começar a escrever o que se tornaria seu primeiro trabalho em parceria com JR White, o outro membro do duo Girls, em 2007. Mas o cantor tem um senso de urgência e, cinco anos, dois álbuns e um EP depois, debandou para começar sua carreira solo.
Ainda durante a última turnê do Girls, Owens começou a rascunhar o que se tornaria seu primeiro trabalho individual. Quase um álbum conceitual, tem como fio condutor seu caso com uma garota francesa chamada Lysandre (óbvio) mas expõe muito seu passado meio barra pesada e a experiência com o Girls. O tom, claro, é bastante confessional: as letras falam de amor, desilusão, dúvida. Em “Here We Go”, o cantor promete que o ouvinte vai encontrar honestidade (“and if your ears are open/you will hear honesty from me”). Algumas letras são incríveis divãs: aparentemente, em “Broken Heart”, o cantor lamenta uma relação homossexual que acabou quando o outro rapaz se apaixonou por uma garota (a relação gay é fato assumido por ele, mas como terminou é pura especulação minha, baseado na letra). Já em “Love Is In The Ear Of The Listener”, ele questiona seu próprio talento (“what if everybody thinks I’m a phony?/what if nobody gets me?”).
Uma coisa que Lysandre tem em comum com outros álbuns que ouvi esse ano e me chamou muito a atenção: é um disco curto, conciso, direto. Parece que os compositores estão assimilando que em 2013 são poucas as pessoas com tempo e paciência para consumir obras muito longas. Neste caso, são onze faixas, sendo que duas delas são vinhetas de menos de 1 minuto. O elo de todas as canções – a moça Lysandre – é representado pela melodia que as une e se apresenta logo na primeira faixa, “Lysandre’s Theme”, quase barroca, com violão clássico e flauta. A melodia se repete no final de quase todas as músicas, sempre de acordo com o arranjo de cada uma. Musicalmente, aliás, as canções lembram muito os trabalhos do Girls, e dão uma ideia do rumo que o duo poderia ter tomado se Owens e White tivessem chegado a um acordo. O backing vocal feminino, marca registrada do álbum Father, Son, Holy Ghost, de 2011, também aparece aqui (a suave voz é de Hannah Hunt, namorada de Chris – vou fazer a íntima e chamá-lo assim a partir de agora).
Além da flauta, outro instrumento diferente que ganha presença é o saxofone – o solo em “New York City”, a faixa mais rock n’ roll tanto musicalmente quanto liricamente (“I remember looking through the barrel of a loaded gun”), é uma delícia. Arriscando-se em terrenos inóspitos, ele nos brinda com uma coisa meio reggae, meio caribenha em “Riviera Rock”. O álbum termina com “Part Of Me (Lysandre’s Epilogue)”, um tema country rock que representa quase um exorcismo de seu passado (“you were a part of me, but that part of me is gone”).
Em uma banheira de quarto de hotel, Chris nos mostra a gênese de Lysandre
O fim do Girls, em meados do ano passado, foi um baque para todo mundo que os acompanhava e que ficou embasbacado com seu segundo álbum. Mas Chris disse em entrevistas que o duo cresceu muito rápido, e as coisas seriam melhores se eles pudessem ter ido mais devagar. Agora, em voo solo, ele tem a chance de trilhar um caminho mais tranquilo. Com Lysandre, ainda que em baby steps, mostrou que está no rumo certo.













LANA DEL REY
OF MONTREAL