Posts Tagged With 'resenha'

A ferida aberta de Christopher Owens

Por Rodrigo Cruz 31 Jan 2013 Comments
A ferida aberta de Christopher Owens

Christopher Owens parece ser um cara bastante solitário: passa horas passeando sozinho quase diariamente pelo Golden Gate Park, em San Francisco, a cidade para onde se mudou em busca de uma carreira como pintor. O plano inicial mudou e ele se tornou guitarrista da banda de apoio de Ariel Pink, antes de começar a escrever o que se tornaria seu primeiro trabalho em parceria com JR White, o outro membro do duo Girls, em 2007. Mas o cantor tem um senso de urgência e, cinco anos, dois álbuns e um EP depois, debandou para começar sua carreira solo.

Dirty Projectors feat. Caetano Veloso (rs) no Cine Joia

Por Rodrigo Cruz 03 Dec 2012 Comments
Dirty Projectors feat. Caetano Veloso (rs) no Cine Joia

Na última sexta, o Cine Joia, a casa de shows mais bacana de São Paulo atualmente, estava mais agitada que o comum. Não só pelo show do Dirty Projectors, a atração principal da noite, ou pela banda de abertura, os paulistanos do Holger, mas também pela visita de Caetano Veloso, que lá estava, normalzinho, pronto para prestigiar o show dos novaiorquinos.

Dirty Projectors no palco do Cine Joia.

Dirty Projectors no palco do Cine Joia.

Fiquei imaginando o que se passou pela cabeça de David Longstreth & cia. ao saberem da presença de Caê no local. Pelo tipo de som que a banda faz, provavelmente devem conhecer a obra de um de nossos mais ilustres baianos. Se são fãs, pelo menos não pagaram o mico de fazer qualquer tipo de declaração no palco. Pelo contrário: o show do Dirty Projectors foi econômico nos comentários e extremamente profissional. Centrado no repertório do álbum mais recente, Swing Lo Magellan – um dos melhores lançamentos do ano, sem dúvida - e com alguns “hits” de Bitte Orca (2009), durou uma hora cravada, contando o bis.

David Longstreth e Amber Coffman. As pernas de Amber arrasaram corações :p

David Longstreth e Amber Coffman. As pernas de Amber arrasaram corações :p

Em uma de suas poucas interações com a platéia, Longstreth, extremamente tímido, comentou um fato curioso: o último show da banda em São Paulo aconteceu há exatos três anos, exatamente na mesma semana do ano. A guitarrista e vocalista Amber Coffman, de rabo de cavalo e usando uma saia vermelha acima dos joelhos, roubou a cena e arrancou gritos de “linda” e “gostosa” dos poucos heteros presentes, rs. As outras garotas da banda não ficaram para trás: a tecladista Olga Bell respondeu com uma reverência sem graça quando gritaram seu nome na platéia e a vocalista e percussionista Haley Dekle (com um novo cabelo anos 80 incrível) provocava a platéia a acompanhar as palmas de quase todas as músicas. Aliás, as três pareciam estar se divertindo muito, sorrindo durante toda a apresentação.

O show começou em clima intimista, com a faixa título do último álbum, seguida de “Offspring Are Blank”, quando Olga e Haley se juntaram ao resto da banda no palco. Depois de “Cannibal Resource”, Amber pegou o microfone sem fio pela primeira vez para fazer o vocal principal de “The Socialites”. Mas foi em “Beautiful Mother (Wittenberg IV)”, música do EP gravado em parceria com Björk em 2010, que as três moças mostraram todo seu potencial vocal.


“About To Die”, registrada pelo amigo Diego Maia

A apresentação foi bem constante o tempo todo e a platéia se mantinha em um grau de concentração interessante, como se estivessem assistindo a uma orquestra. Os momentos de maior exaltação foram “No Intention” e “Useful Chamber”, de Bitte Orca, e os singles de Swing Lo Magellan, “Gun Has No Trigger” (outra excelente demonstração do alcance vocal de Amber, Olga e Haley) e “About To Die”. Quando a banda se despediu do palco, parecia que não tinham passado quinze minutos! Voltaram para um bis curto com “Dance For You” e o grande hit “Stillness Is The Move”, mais uma vez com Amber no vocal principal.

Amber e Haley em "Gun Has No Trigger"

Amber e Haley em “Gun Has No Trigger”

Até o momento os repertórios dos shows do Rio e SP não estão no setlist.fm, provavelmente porque o roadie fez questão de miguelar o setlist para o público, rs. Mas o show de São Paulo foi muito parecido com esse aqui.

Tragam os cavalos dançantes

Por Rodrigo Cruz 19 Sep 2012 Comments
Tragam os cavalos dançantes

BAND OF HORSES

 

Mirage Rock

 

Columbia, USA, 2012

 

Faixas de destaque: “Dumpster World”, “Knock Knock”, “Feud”, “Long Vowls”

Não precisa ouvir muitas vezes o novo álbum do Band Of Horses, Mirage Rock, para perceber que a banda resolveu deixar para trás um pouco da tristeza e melancolia presentes na sonoridade do excelente Infinite Arms, seu álbum de 2010 que chegou a ser indicado ao Grammy. A banda de rock com influências de country e folk nascida em Seattle (que origem mais improvável!) resolveu pegar mais forte nas guitarras, deu uma acelerada nas canções e deixou para trás um pouco dos arranjos tristes presentes em músicas como “Factory” e “Infinite Arms”. O resultado é um álbum mais cru e visceral, tão robusto quanto seu antecessor, mas muito mais rock n’ roll.

Este novo direcionamento já tinha sido “anunciado” em julho, com o lançamento do primeiro single, “Knock Knock”, que também abre o álbum e que o Fabricio já tinha falado a respeito aqui. O andamento e os arranjos de “A Little Biblical”, “Electric Music” e “Feud” são outros exemplos de como Ben Bridwell e sua turma estão mais alegrinhos neste disco. Em contraponto, um outro pedaço do álbum segue as pegadas do som mais tradicional da banda, como mostram “Everything’s Gonna Be Undone” e “Long Vowls” (em que a voz de Bridwell está espantosamente parecida com a de Neil Young). Algumas canções, como “How To Live”, trazem espectros do country rock de bandas dos anos 70 como Lynyrd Skynard. E, como estamos falando de Band Of Horses, é natural que o álbum termine com uma balada linda, mega triste e com direito a arranjo de cordas, “Heartbreak On The 101″.

A melhor e mais bem elaborada música do álbum é “Dumpster World”, que começa com uma levada country folk conduzida por uma linha de baixo deliciosa, evolui para um rock em compasso 4/4 quebrado e retorna ao folk no encerramento – tudo isso com uma mudança de tempo muito bem acertada e sem prejudicar a cadência da música. O pessoal do Wilco morreria de inveja de como eles trabalharam essa melodia… Tal mudança de rumos e sonoridade talvez se explique pelo fato de que finalmente o Band Of Horses estabeleceu sua formação, se tornando uma banda mais colaborativa, onde todos contribuem nas composições.

Até agora não encontrei ninguém que tenha gostado muito de Mirage Rock. Minha opinião é que ele é tão bom ou até melhor que Infinite Arms, além de mostrar que é possível mudar sua sonoridade no álbum que sucede um trabalho muito elogiado justamente por como soa. Uma salva de palmas para a ousadia do Band Of Horses!

Battle Born… to Die

Por Victor Albuquerque 14 Sep 2012 Comments
Battle Born... to Die


The Killers

Battle Born

2012, Island

Com um primeiro single bem escolhido, todos os fãs dos estadunidenses The Killers criaram uma boa expectativa pelo material que a banda iria lançar. Eis que uma bomba atômica acabou com o sonho americano logo na primeira audição do álbum, que já se cansa na terceira faixa, se queres saber.

Fãs que se apaixonaram por aquele Killers feliz e despreocupado do Hot Fuss, viram a banda se consolidar com o consistente e bonito Sam’s Town, perdoaram o tropeço dado no arrastado, porém, aceitável Day & Age, não podem deixar passar desapercebido este lançamento tão insosso que é o Battle Born, que de grandioso só teve o teaser publicado em julho, o nome e a arte de capa.

Após um hiato de quatro anos e passeio por carreiras solos, os caras trouxeram um álbum que soa como mais um daqueles discos produzidos para reunir a banda e prepará-la para sair em turnê mundial (assim como aconteceu com o Strokes, como mero exemplo aleatório).

É inegável que os vocais de Brendon Flowers estão muito lindos em todas as faixas, e são o que há de melhor no álbum, mas isso não é o bastante. Como destaques ficam as duas primeiras faixas, “Flash and Bone”, que ilude bastante ao se remeter de uma forma natural e envolvente ao antigo Killers do Hot Fuss, e “Rurnaways”, única faixa que possui real potencial para um primeiro single.


Na contramão, as demais faixas são mornas, e algumas soam realmente vergonhosas, “Here With Me” tem uma melodia tão batida, que não chega realmente a ser um problema se pararmos para prestar atenção na letra da música, principalmente no refrão, que traduzido é literalmente assim:

“Não quero sua foto no meu celular/Eu quero você aqui comigo/Não preciso dessa memória em minha cabeça, não/Eu quero você aqui comigo”.

Estou na dúvida se Jota Quest faria uma balada romântica com essa letra, ou se ela é tão ruim que ficaria para Luan Santana. Também vemos algumas tentativas frustradas de imitar a sonoridade oitentista, como na faixa “A Matter of Time”, com um coral de “Oaaah ooh” nos backing vocals tão robótico que faz lembrar de um jeito artificial e forçado trilhas de desenhos animados da década de 80, além de sintetizadores e arranjos bem chatos que pelo decorrer do álbum tornam todas as músicas muito, mas muito parecidas.

Preparado para escutar o Battle Boring e tirar suas próprias conclusões?

Escondendo-se atrás de escudos

Por Rodrigo Cruz 03 Sep 2012 Comments
Escondendo-se atrás de escudos

GRIZZLY BEAR

 

Shields

 

Warp Records, USA, 2012

 

Faixas de destaque: “Sleeping Ute”, “Yet Again”, ”Speak In Rounds”, “A Simple Answer”, “Sun In Your Eyes”

Já faz algum tempo que as bandas nascidas ou estabelecidas em Nova Iorque, particularmente no Brooklyn, têm sido responsáveis por renovar constantemente a música dita “alternativa”, na medida em que se reinventam em maior ou menor grau a cada álbum. Curiosamente, uma delas parece ter optado por seguir um caminho mais tradicional: o Grizzly Bear lança em 18 de setembro seu quarto álbum, Shields, que já vazou e nas primeiras audições se mostrou bastante parecido com Veckatimest, seu antecessor de 2009 e que deu maior notoriedade à banda ao ganhar posições em respeitados top 10, como da Pitchfork e da revista Time.

Diferente de seus parceiros novaiorquinos que abusam da eletrônica e de afrobeats, o Grizzly Bear sempre seguiu um caminho mais direcionado ao folk, mas com uma dose de psicodelia – sem isso provavelmente não seria uma das bandas novaiorquinas de destaque da década. Veckatimest foi pautado por canções de andamento lento, conduzidas por guitarras acústicas e pianos, muitas vezes com uma pitada de free jazz. Em Shields, parecia que a banda seguiria por uma linha diferente, como apontavam “Sleeping Ute” e “Yet Again”, ambas mais rápidas e com guitarras. Mas não.

Nos três anos de pausa entre os álbuns, sendo dois deles sem fazer shows, os integrantes da banda aproveitaram para se envolver em outros projetos pessoais relacionados à música (não necessariamente “fazer” música), descansar e até casar. O único que lançou material novo foi Daniel Rossen – um EP com duas músicas que ficariam de fora de Shields. Talvez o período de inatividade tenha feito com que voltassem ao estúdio sem muita vontade de inovar, mas sim de fazer a mesma boa música de sempre.

Isso significa que Shields é um álbum ruim? Muito pelo contrário. É o que se esperaria de um álbum do Grizzly Bear: lindas melodias e letras, harmonias vocais, violão e piano funcionando de forma integrada e complementar. Simplesmente desaponta um pouco a ausência de um caráter inovador. Mas, mesmo em poucas audições, já revelou uma série de lindos hinos, como “Speak In Rounds”, “A Simple Answer” e a maravilhosa “Sun In Your Eyes”, que encerra o álbum em tom épico.

Pode não ser o melhor álbum do Grizzly Bear, mas ainda sim é um dos melhores do ano. A expectativa não foi totalmente atendida, mas também não foi frustrada. É uma prova de que a banda do Brooklyn merece seu destaque e ainda tem muito a crescer – e esse crescimento pode acontecer ainda em Shields, com mais algumas audições.

O axé do bem do Animal Collective

Por Rodrigo Cruz 23 Aug 2012 Comments
O axé do bem do Animal Collective

ANIMAL COLLECTIVE

 

Centipede Hz

 

Domino, USA, 2012

 

Faixas de destaque: “Monkey Riches”, “Amanita”, “Applesauce”, “Today’s Supernatural”, “Father Time”

Eles estão de volta! Panda Bear, Avey Tare e Geologist recebem Deakin de volta (após sua partida nas gravações do álbum anterior) e lançam Centipede Hz no próximo dia 4. Claro que o disco já vazou por aí – e que discão!

Faz três anos que o Animal Collective lançou Merriweather Post Pavilion, antecessor de Centipede Hz e eleito melhor disco de 2009 por 3 entre cada 5 veículos especializados em música alternativa. Não sei se outras pessoas também tem essa opinião, mas Merriweather é um disco um tanto quanto cansativo para mim – sempre o achei viajandão demais. No novo trabalho, o coletivo retorna com a psicodelia e experimentalismo característicos de seus trabalhos anteriores, mas a sonoridade está mais acessível. Talvez porque a banda tenha resolvido fazer um álbum mais orgânico, com bateria de verdade e teclados “tocados” – não apenas samples e programações. Fato curioso: o AnCo citou Milton Nascimento e Zé Ramalho entre as influências nas composições do álbum.

Parte do conceito do álbum envolve relaciona-lo a uma transmissão de rádio, inserindo estática, vinhetas e anúncios. O primeiro single, “Today’s Supernatural”, foi lançado em uma estação de rádio criada pela banda em seu site oficial no final de junho. Esta semana, foi lançado um vídeo um tanto quanto maluco – e não era de se esperar menos – para a música.

No geral, Centipede Hz é bastante homogêneo, o que para mim é uma novidade em se tratando de AnCo. Não é um álbum que me faça ficar com cara de “huh?” ou querer mudar de faixa, como acontecia em Merriweather. Até agora, a melhor música para mim é “Monkey Riches”, cheia de tambores e com um refrão excelente (“But why am I still looking for a golden age?/You tell me that I ought to have a golden wage”).

Destaque também para o encerramento do álbum em clima de micareta indie na segunda parte de “Amanita”. Micareta indie é um termo que gosto de usar para designar o som de bandas, geralmente de Nova York (o AnCo não nasceu em NYC, mas se fixou lá há algum tempo), que usam african beats em seu som e o deixam com cara de axé. Um axé do bem, claro!

Muito provavelmente os fãs mais xiitas e que idolatram Merriweather até hoje vão torcer um pouco o nariz para Centipede Hz. Já eu, em compensação, adorei o disco logo na primeira audição e o coloquei nas primeiras posições da minha lista. Já dizem por aí que toda unanimidade é burra mesmo, né? rs

Banda da Semana: Glen Hansard

Por Victor Albuquerque 21 Jul 2012 Comments

Glen é um artista que está há muito tempo na estrada, mas foi em 2007, ao estrelar o filme irlandês Once junto de Markéta Irglová, que o cantor, compositor e ator ganhou notoriedade com suas músicas, que já haviam rendido um álbum no ano anterior, também em parceria com Markéta, entitulado “The Swell Seasons”.
Uma característica no artista irlandês é o som acústico, com acordes que geralmente variam entre violões, piano e violinos. Todo drama existencialista de suas canções combinam perfeitamente com aqueles dias mais cinzentos e chuvosos.

Vencedora do Oscar como melhor faixa original pelo filme Once, “Falling Slowly” também rendeu uma indicação ao Grammy em 2008, e para você que não conhece o trabalho que o duo fazia, é uma ótima canção para entender um pouco da emoção de suas músicas.

Markéta Irglová e Glen Hansard

Markéta Irglová e Glen Hansard

Glen e Markéta Irglová além de um lindo projeto musical juntos mantinham um relacionamento, que, assim como o duo, terminou em uma fase de crises relacionadas a diversos problemas na vida pessoal e profissional de Glen, e como todo bom artista e poeta ele acabou por externar toda explosão de sentimentos em seu primeiro álbum totalmente solo “Rhythm and Repose”.
A nuance entre o ritmo e o repouso realmente é uma característica que marca Glen, o álbum lançado recentemente tem tudo a ver com o nome, e não poderia haver faixa que o melhor descreva além de “The Storm, it’s coming”, chega a ser literal a mensagem que a música passa, realçando entre momentos de melodia muito clean e momentos de explosão no vocal rasgado e gritado de Glen. “Get ready for the storm, it’s coming. Yeah, it’s coming”.

Falando um pouco mais sobre o trabalho recente, percebemos toda a proposta logo na faixa escolhida para dar abertura, “You will become” chega cheia de ritmo e a melancolia característica de Glen, soando como uma boa introdução e instigando. A faixa que, em minha opinião, é de grande destaque neste álbum, “Talking with the wolves”, possui certa beleza peculiar, nos faz passear por aquela sensação de ouvir Kings of Convenience, mas com uma melancolia que apenas Glen Hansard poderia imprimir. “Philander”, que é uma música que também se destaca, chega a ser harmônica no contexto do álbum e foi escolhida como primeiro single, porém não acredito que tenha sido a melhor escolha para divulgar o trabalho possuindo certo minimalismo que chega a incomodar.

Glen com todo seu trabalho autoral é o tipo de artista que consegue te envolver em sua atmosfera, é impossível não se mergulhar no clima de suas músicas, o que pode não ser (ou pode) recomendado naqueles dias em que você está numa pior.
Aliás, quem quiser a dica de um bom filme para ver em casa neste final de semana frio, Once é uma boa opção que pode partir seu coração, mas possuidor da característica poesia e beleza irlandesa que o torna praticamente obrigatório. E claro, se ficou interessado em conhecer o trabalho de Glen, é uma ótima pedida para ouvir algumas das melhores canções nascidas na época “Swell Seasons”.

Mais rapidinhas

Por Fabricio Renovato 20 Jun 2012 Comments

Vamos dar aquela olhadinha nos ultimos (e nem tão ultimos assim) lançamentos de albuns? Vem comigo:

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MetricSynthetica

O novo álbum dos canadenses é coisa linda. Bem menos “alegrinho” do que outros trabalhos, mostra que a banda continua fazendo melodias bacanas, com punch e perfeitas pra ouvir com amigos naquele esquenta, embora ele mereça uma audição mais carinhosa.

Depois de fazer sucesso enorme com o album anterior, “Fantasies, lançado pela própria banda e que os colocou em trilhas de filmes de Hollywood e rendeu prêmios em seu país natal, a banda de Emily Haines demorou três anos pra lançar “Synthetica”. Valeu a pena esperar, mas não fica nisso: ainda esse ano eles lançam a trilha sonora do novo filme de David Cronenberg, “Cosmopolis”, que eles escreveram junto com o trilheiro Howard Shore, colaborador habitual do diretor e também de Peter Jackson e Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes). Tem muito Metric ainda pra sair!

Norah JonesLittle Broken Things

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Norinha tá de volta com um album que deixa mais claro ainda que a linda quer fazer uma carreira diversificada, sem se repetir. Norah já tinha se distanciado da linha mais jazzistica em “The Fall”, seu album anterior mas o trabalho com o produtor Danger Mouse no curioso e bacanissimo “Rome”, uma especie de trilha sonora de western spaghetti sem o bang bang italiano, fez com que a parceira se repetisse em sua carreira, gerando o bonito “Little Broken Things”.

Como muitas vezes o momento mais criativo e fertil de um artista se dá quando ele termina um relacionamento, Norah solta seus bichos aqui depois de romper um namoro longo com um integrante de sua banda. Daí que as canções são tristes mas ao mesmo tempo tem “guts”, não soa como chororô. Além disso, como o proprio video de “Happy Pills” mostra, Norah investe um pouco mais no fim da imagem mais fofa que sempre a acompanhou. Os pontos altos do álbum são justamente esse primeiro single e a sombria “Miriam”.

The WalkmenHeaven

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Podem me dar porrada mas eu não conhecia o The Walkmen. Até que um dia vi na parte de lançamentos do Rdio que eles tinham album novo na praça e fui ouvir. E me apaixonei.

“Heaven” é LINDO. É daqueles cds que pegam você de jeito e não saem da tua cabeça. Especialmente pra alguém como eu, um melancólico incorrigível que adora musica lowdown. Que fique claro: o cd não é chororô não e a voz do Hamilton Leithauser é rascante o suficiente pra tirar qualquer ranço ou excesso de mimimi, mas a melancolia que perpassa o album faz com que ele fique bm de ouvir tomando um vinho nesse friozinho, com ou sem uma coberta de orelha pra aquecer. Agora, fica a pergunta: o paraíso dos homens que andam é triste assim?

Pra mim, “Heaven”já disponta como um dos possíveis albuns do ano.

Lana Del Rey – Born To Die

Por Rodrigo Cruz 02 Mar 2012 Comments
Lana Del Rey - Born To Die

LANA DEL REY

Born To Die

2012, Interscope, Polydor, Stranger (USA)

Nota: 2 de 5

Faixas de destaque: “Video Games”, “Blue Jeans”, “Summertime Sadness”

Desde meados de 2011 se fala muito em Lana Del Rey. De repente, todo mundo começou a perguntar: “quem é ela? Quem é ela?” Ué gente: Lana Del Rey é uma cantora lançada através de uma essencial estratégia de marketing viral para promover qualquer novo produto musical nos dias de hoje, oras.

O nome da cantora começou a pipocar em blogs (né, Lucio?) e outros veículos relacionados a música, ora graças a seus grandes lábios (sem intenção de trocadilho, juro), ora por causa da repercussão da música “Video Games”. Do dia para a noite, seu álbum “de estréia” se tornou a coisa mais aguardada do cenário musical, e ela rapidamente ganhou um status midiático que se compara ao de Amy Winehouse e Adele.

Bem, não vou perder tempo falando sobre quem é Lana, já que meu amg Fabricio fez isso com bastante propriedade em outro post neste blog. Mas eu não poderia deixar de ouvir e comentar Born To Die. Confesso que ouvi torcendo pro álbum ser horrível pra poder falar mal, rs, mas não foi bem isso que achei.

Justiça seja feita: Lana canta direitinho e o álbum é bem produzido. O grande problema que vejo em Born To Die é a falta de direção. Algumas faixas são uma xaropada cheia de violinos, como a faixa título, outras querem justificar o apelido que Lana se deu de “Nancy Sinatra gangsta” (“Diet Montain Dew” e “National Anthem”) e outras poderiam ter uma roupagem mais pop para serem gravadas por Britney Spears (“This Is What Makes Us Girls” e “Lolita”).

Tirando um deslize vocal ou outro (como o falsete vergonhoso de “Off To The Races”), Lana desenvolve um bom trabalho vocal, principalmente em “Blue Jeans” e “Million Dollar Man”. Por mais que me doa dar o braço a torcer, a melhor música de Born To Die é “Video Games”. Ela é daquelas canções que precisam de uma ocasião para se tornarem especial, e foi o que aconteceu comigo :)

Perto das bombas que tem sido lançadas por aí atualmente, Lana Del Rey tem tudo para se beneficiar com o apoio do marketing musical e desenvolver uma boa carreira. Ela só precisa escolher pra que lado vai, afinal.

Of Montreal – Paralytic Stalks

Por Rodrigo Cruz 28 Feb 2012 Comments

OF MONTREAL

Paralytic Stalks

2012, Polyvinyl Records (USA)

Nota: 3 de 5

Faixas de destaque: “Dour Percentage”, “We Will Commit Wolf Murder”, “Spiteful Intervention”

Foi no longínquo 2003 que me apaixonei pelo Of Montreal, com a demo de “Sad Love”, a futura “Eros’ Entropic Tundra” de Satanic Panic In The Attic, para mim o melhor álbum da banda – que estava na verdade deixando de ser uma banda para virar quase um projeto solo do vocalista Kevin Barnes.

Desde então, o Of Montreal muda constantemente seu som (um disco é feito de músicas curtas estruturadas em midis e bases eletrônicas, o outro traz músicas longas e com mudanças bruscas de ritmo, o outro resgata instrumentos acústicos etc) e, naturalmente, tantas mudanças causam um pouco de estranheza, fazendo com que os álbuns sejam um pouco difíceis de assimilar nas primeiras audições. Até hoje, Skeletal Lamping, de 2008, é um disco que engulo com farofa.

Mesmo os fãs mais xiitas que dizem amar cada álbum de Kevin Barnes e sua trupe na primeira audição vão concordar comigo que Paralytic Stalks é o álbum mais irregular do Of Montreal, alternando momentos sublimes como “Dour Percentage“ com experimentalismos poucos lineares, muito exagerados e desnecessários como “Exorcismic Breeding Knife”. Às vezes tenho a impressão de estar ouvindo Ummagumma, o álbum mais pointless do Pink Floyd.

O disco começa bem com “Gelid Ascent”, uma das músicas mais rock n’ roll da banda nos últimos tempos. “Spiteful Intervention” tem violinos e os tradicionais lamentos de Barnes (“I spent my waking hours haunting my life/I made the one I love start crying tonight/And it felt good/Still there must be a more elegant solution”). “Dour Percentage”, o primeiro single, é a melodia mais agradável do álbum todo, com direito até a saxofone.

“We Will Commit Wolf Murder” é a faixa que mais lembra o Of Montreal que aprendemos a amar: dançante, com baixo bem marcante e pontuado e uma dosezinha ainda saudável de esquizofrenia. “Malefic Dowery” é uma boa vinheta acústica, coisa inédita desde 2004, pelo menos. Daí, a coisa começa a complicar: “Ye, Renew The Plantiff”, apesar do seu momento bem rock n’ roll, com direito à gritaria de Barnes (“eating a hole in me!!”), se perde em uma barulheira sem sentido.

“Wintered Debts”, a primeira música a vazar, vai ficar para sempre marcada entre os fãs brasileiros como a música que cita o fim-de-semana mágico do show do Of Montreal no festival Planeta Terra em 2010 (“sleeping on my own vomit while I try to call you from my bathroom in São Paulo…”) Quer dizer, parece ter sido mágico pra nós, mas pro Kevin nem tanto… Por fim, o álbum degringola de vez com a longa e indigesta “Exorcismic Breeding Knife” e tenta recuperar o pique com “Authentic Pyrrhic Remission”, sem sucesso.

Apesar da irregularidade, Paralytic Stalks mostra que Kevin Barnes se recusa a ficar na mesmice e tende a explorar muitas outras possibilidades interessantes no futuro. Como um novo álbum vai soar é um total e completo mistério.

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