Favor não confundir MNDR com MDNA

No começo, eu achava que MNDR era uma sigla adotada pela cantora Amanda Warner como nome artístico. Depois, fui descobrir que MNDR é um daqueles duos que a gente fica surpreso ao saber que o nome não se refere só à cantora (tipo La Roux, rs). Daí agora fico sabendo que o buraco é mais embaixo: Warner diz que MDNR é sim seu grupo com Peter Wade, com quem ela compõe e grava sua música, mas que ela só se apresenta como artista solo. Então tá, né?

Apesar da confusão toda, entre 2010 e 2011 o MNDR lançou uma série de singles bacanas, como “Caligula” e “Cut Me Out”, além de participar de “Bang Bang Bang”, faixa que abre o excelente Record Collection, último álbum de Mark Ronson. Acabaram de lançar seu primeiro álbum, Feed Me Diamonds, que infelizmente não é o que eu esperava do duo novaiorquino, baseado em seus singles: o álbum segue uma linha electropop/synthpop bem comercial, comportadinho… Uma pena, porque eles tinham tudo para dar uma chacoalhada na mesmice da cena electro atual. Ainda assim, vale dar uma conferida em faixas como “Draw The Curtains”, “Sparrow Voices”, a dubstep “Burning Hearts” e a faixa título. Dá pra dar uma dançadinha!

Joanna Newsom – Have One On Me

Quis começar meus trabalhos no Tablete Hipster resgatando uma resenha que escrevi para minha lista perdida de melhores álbuns de 2010 (não sei onde guardei a bendita). Talvez a resenha tenha ficado um pouco séria demais, pretendo escrever de forma um pouco mais light daqui pra frente.

JOANNA NEWSOM
Have One On Me
2010, Drag City (USA)

Nota: 5 de 5

Faixas de destaque: “In California”, “Soft As Chalk”, “Good Intentions Paving Company”, “Esme”, “Does Not Suffice”

Três anos após o lançamento de seu badalado álbum Ys, Joanna Newsom se preparava para gravar novo material quando descobriu que estava com nódulos nas cordas vocais. Apesar de grande parte das músicas de seu novo álbum já estarem prontas nessa época, ainda acho que a angústia do silêncio compulsório permeia cada momento de Have One On Me.

Dezoito músicas com média de 7 minutos de duração cada e letras muito longas, formando um álbum triplo (fato que muitos críticos consideraram “ambicioso demais” à época do lançamento). Em nenhum momento o álbum torna-se cansativo ou enfadonho, mostrando que Joanna realmente tinha muito a dizer.

Comparados a seus trabalhos anteriores, os arranjos foram inovados com uma discreta percussão e a adição de guitarra, banjo, trombones e instrumentos étnicos como tambura e kaval – tudo de forma muito discreta e comedida, pois é preciso espaço para que a voz, a harpa e o piano de Joanna reinem. Os arranjos orquestrais estão presentes, mas também concisos – diferente dos arranjos grandiloqüentes de Van Dyke Parks usados em Ys.

Após sua recuperação dos problemas vocais, ficou claro que a voz de Joanna tinha mudado: parece mais madura, e seu jeito de cantar também. Apesar do timbre muito particular que a fez famosa em seu primeiro álbum, The Milk-Eyed Mender, ainda estar presente, com direito a alguns gritos esganiçados, é nos sussurros e momentos calmos que ela constrói a atmosfera de Have One On Me.

Nas letras, Joanna nunca foi tão confessional, mostrando-se uma mulher apaixonada (“I am easy / Easy to keep / Honey, you please me even in your sleep”) , mas ao mesmo tempo frustrada (“How I said to you, honey, just open your heart / When I’ve got trouble even opening a honey jar”) e às vezes submissa (“Say, honey, did you belong to me / Tell me, honey, did I pass your test”).

O grande momento de Have One On Me, para mim, é “In California”. Identificação total com o momento pelo qual eu passava. Nada me fez chorar mais em 2010 do que ouvir essa música. Para mim, a melhor música de 2010 está no melhor álbum de 2010. Ouvir Have One On Me, em particular “In California”, é viver uma experiência íntima dentro da alma de uma outra pessoa, enquanto você procura nela traços que na verdade são seus.