Archive for February, 2012

Of Montreal – Paralytic Stalks

Por Rodrigo Cruz 28 Feb 2012 Comments

OF MONTREAL

Paralytic Stalks

2012, Polyvinyl Records (USA)

Nota: 3 de 5

Faixas de destaque: “Dour Percentage”, “We Will Commit Wolf Murder”, “Spiteful Intervention”

Foi no longínquo 2003 que me apaixonei pelo Of Montreal, com a demo de “Sad Love”, a futura “Eros’ Entropic Tundra” de Satanic Panic In The Attic, para mim o melhor álbum da banda – que estava na verdade deixando de ser uma banda para virar quase um projeto solo do vocalista Kevin Barnes.

Desde então, o Of Montreal muda constantemente seu som (um disco é feito de músicas curtas estruturadas em midis e bases eletrônicas, o outro traz músicas longas e com mudanças bruscas de ritmo, o outro resgata instrumentos acústicos etc) e, naturalmente, tantas mudanças causam um pouco de estranheza, fazendo com que os álbuns sejam um pouco difíceis de assimilar nas primeiras audições. Até hoje, Skeletal Lamping, de 2008, é um disco que engulo com farofa.

Mesmo os fãs mais xiitas que dizem amar cada álbum de Kevin Barnes e sua trupe na primeira audição vão concordar comigo que Paralytic Stalks é o álbum mais irregular do Of Montreal, alternando momentos sublimes como “Dour Percentage“ com experimentalismos poucos lineares, muito exagerados e desnecessários como “Exorcismic Breeding Knife”. Às vezes tenho a impressão de estar ouvindo Ummagumma, o álbum mais pointless do Pink Floyd.

O disco começa bem com “Gelid Ascent”, uma das músicas mais rock n’ roll da banda nos últimos tempos. “Spiteful Intervention” tem violinos e os tradicionais lamentos de Barnes (“I spent my waking hours haunting my life/I made the one I love start crying tonight/And it felt good/Still there must be a more elegant solution”). “Dour Percentage”, o primeiro single, é a melodia mais agradável do álbum todo, com direito até a saxofone.

“We Will Commit Wolf Murder” é a faixa que mais lembra o Of Montreal que aprendemos a amar: dançante, com baixo bem marcante e pontuado e uma dosezinha ainda saudável de esquizofrenia. “Malefic Dowery” é uma boa vinheta acústica, coisa inédita desde 2004, pelo menos. Daí, a coisa começa a complicar: “Ye, Renew The Plantiff”, apesar do seu momento bem rock n’ roll, com direito à gritaria de Barnes (“eating a hole in me!!”), se perde em uma barulheira sem sentido.

“Wintered Debts”, a primeira música a vazar, vai ficar para sempre marcada entre os fãs brasileiros como a música que cita o fim-de-semana mágico do show do Of Montreal no festival Planeta Terra em 2010 (“sleeping on my own vomit while I try to call you from my bathroom in São Paulo…”) Quer dizer, parece ter sido mágico pra nós, mas pro Kevin nem tanto… Por fim, o álbum degringola de vez com a longa e indigesta “Exorcismic Breeding Knife” e tenta recuperar o pique com “Authentic Pyrrhic Remission”, sem sucesso.

Apesar da irregularidade, Paralytic Stalks mostra que Kevin Barnes se recusa a ficar na mesmice e tende a explorar muitas outras possibilidades interessantes no futuro. Como um novo álbum vai soar é um total e completo mistério.

The Hate Parade – part 2

Por Rodrigo Cruz 27 Feb 2012 Comments
The Hate Parade - part 2

Na semana passada, o LA Weekly publicou uma lista com as 20 piores bandas de todos os tempos. O Tablete Hipster também fez sua lista. O amg Fabricio Renovato já deu a partida com seu top 5 na última sexta-feira. Agora é a minha vez!

5) AC/DC

Sejamos sinceros: o AC/DC acabou quando o Bon Scott morreu. Daí entrou o Brian Johnson, que é péssimo, e a banda se tornou um plágio de si mesma. Mesmo quando eu era mega fã de heavy metal e hard rock o AC/DC nunca desceu.

4) Chumbawamba

Eu só conheço uma música dessa bomba, mas já é suficiente pra me fazer odiá-los profundamente. Eu tenho um problema com bandas que se metem a engraçadinhas – principalmente quando elas não tem graça nenhuma.

3) Black Eyed Peas

Ainda hoje, quando ouço “I Gotta Feeling”, me dá até coceira. O Black Eyed Peas é o cúmulo do clichê de tudo que é ruim na música pop, desde roupas e maneirimos vocais até raio laser no palco e uso indiscriminado do autotune.

2) Men At Work

Não tem pior vocalista na história da música que o Colin Hay. Quando ele grita “WHO CAN IT BE NOW” meu cérebro se liquefaz. Realmente a Austrália tem um péssimo histórico de bandas ruins (o AC/DC também é de lá).

1) Biquíni Cavadão

Eu não consigo descrever meu sentimento ao ver o vocalista Bruno. Dá vontade de, sei lá, esganá-lo. As letras são idiotas, as melodias bem mequetrefes mas, como caem fácil no gosto popular, as músicas se tornaram hits radiofônicos que martelaram nossos ouvidos por muito tempo. Ódio!!

The Hate Parade

Por Fabricio Renovato 24 Feb 2012 Comments

Inspirado pela lista das 20 piores bandas de todos os tempos que anda causando comoção nas redes sociopatas, resolvi fazer aqui a minha listinha – mas com 5 apenas, por que senão ia ter que criar um tumblr só pra isso (tipo 501 bandas que eu odeio). Mas vamos aos felizardos alvos da minha rejeição:

5. Engenheiros do Hawaii

Herdeiros do Pampa pobre.

Falar mal deles é como chamar o Maluf de ladrão. Mas versos como “Teus olhos são labirintos, Ana/que atraem os meus instintos mais sacanas” é de fazer corar participante bêbado de encontro estudantil. Sabendo que dessa lira saem outras coisas ainda mais assustadoras já garante seu lugarzinho nessa parada de infortunios.

4. Banda Uó

É tanta vontade de dar pinta que não dá vontade nem de escrever. Mas eles merecem a xoxação: tipico produto pra exportação, seguindo direitinho o molde Cansei de Ser Sexy: bando de gente ~hypadinha~ que se junta pra fazer um som e dar close na buatchy, cantando coisas bregas pra ser muderno, aparecer bastante na noite de São Paulo, trampolim certo pra aparecer na midia e doidos pra fazer carreira lá fora. A diferença: o CSS era truque sim, mas depois virou coisa seria e fez musicas realmente legais. Esse aí, nem o beneficio da novidade tem.

3. Beirut

Como assim? Por que? Muitos amigos meus vão achar que isso é um sacrilegio – e inclusive vão dizer que eu tinha que gostar da banda do Zach Condom por que eu sou fã de Los Hermanos. E dai? Beirut é CHATO. Chato pra caralho. E essa vibe de banda de DA que não usa xampu não cola comigo. Zac Camisinha, senta lá.

2. Pussycat Dolls

Eu nem ia colocar as xaninhas aqui por que nem banda isso é. Mas, enfim: cinco gostosas cantando e dançando de forma lasciva é mais velho que andar pra frente. O problema é que nem isso sustentou a coisa. E quando a unica integrante da ~banda~ não consegue sair em carreira solo, é por que o negócio realmente não dá. Nem com reality show pra escolher integrante, no melhor estilo É o Tchan, a vaca saiu do brejo.

1. Black Eyed Peas

Eu tenho estilo, eu acho!

A quintessência da canalhice musical, da falta de bom gosto e de senso. E que, claro, caiu nas graças do publico daqui. É uma versão em escala internacional do que existe de mais canastrão e caça-niqueis na musica, fazendo Frankensteins genericos pra galera Malhação se sentir na moda. Nada é mais risivel e ao mesmo tempo doloroso de ouvir.

Aguardo agora as listinhas dos colegas de blog. :)

os Beatles e sua ligação com a umbanda

Por Rodrigo Cruz 24 Feb 2012 Comments

Vocês já repararam que a melodia de “Exu Caveirinha” é igual à de “Don’t Pass Me By”, música do white album dos Beatles cantada por Ringo Starr?

Comparem:

Os melhores discos de 2011 em minha mais modesta opinião

Por Rodrigo Cruz 17 Feb 2012 Comments
Os melhores discos de 2011 em minha mais modesta opinião

Com o tradicional atraso de todos os anos, segue minha listinha do que ouvi de melhor no ano passado. Tentei colocar praticamente tudo novo que ouvi em 2011, deixando apenas uma ou outra bomba de fora. Não sou do tipo de hipster que ouve uns 100 discos por ano, prefiro ouvir uns 50 e dar a devida atenção a todos, hehe. Segue então meu top 40, com direito a mini-resenhas para os dez primeiros:

40. Friendly FiresPala
39. CSSLa Liberacion
38. Iron & WineKiss Each Other Clean
37. Florence + The MachineCeremonials
36. Scott WeilandA Compilation Of Scott Weiland Cover Songs
35. FeistMetals
34. Adele21
33. Asobi SeksuFluorescence
32. Is TropicalNative To
31. Bombay Bicycle ClubA Different Kind Of Fix
30. Hercules & Love AffairBlue Songs
29. Dum Dum GirlsOnly In Dreams
28. VaccinesWhat Did You Expect from the Vaccines
27. The StrokesAngles
26. White LiesRitual
25. MogwaiHardcore Will Never Die But You Will
24. The KooksJunk Of The Heart
23. The DecemberistsThe King Is Dead
22. Peter Bjorn & JohnGimme Some
21. Noel GallagherNoel Gallagher’s High Metal Birds
20. Architecture In HelsinkiMoment Bends
19. British Sea Power - Valhalla Dancehall
18. M83Hurry Up, We’re Dreaming
17. Amanda PalmerAmanda Palmer Goes Down Under
16. The Go! TeamRolling Blackouts
15. Cut CopyZonoscope
14. Lykke LiWounded Rhymes
13. Of Montrealthecontrollersphere
12. Death Cab For CutieCodes And Keys
11. Cold War KidsMine Is Yours

10. PJ HarveyLet England Shake. Depois do chatíssimo White Chalk e do genial álbum com seu parceiro John Parish, Polly Jean lançou seu disco mais rico em sonoridades e ritmos, que vão do folk ao rock com pitadas de música celta – aliás, o tema do álbum é, justamente, o país natal de PJ. Curioso que ainda há quem espere dela outro blockbuster tipo Stories From The City, Stories From The Sea, mas enfim. Músicas de destaque: “The Words That Maketh Murder”, “Let England Shake”, “In the Dark Places”.

9. LadytronGravity The Seducer. Ainda que eu seja mais fã da fase roqueira do Ladytron (Witching Hour e Velocifero), Gravity The Seducer tem o mérito de resgatar um pouco do synthpop com tons de darkwave do início da carreira da banda – mas sem uma pegada “pista de dança”. Apesar do clima new age em alguns momentos (“Ambulances”), o álbum empolga bastante, até em faixas mais calmas como a linda “White Elephant”, uma das melhores músicas do ano. Músicas de destaque: “White Elephant”, “Mirage”, “Ritual”.

8. YuckYuck. Os novos Strokes? rs brinks nada a ver. Até porque o som tem mais a ver com garage bands americanas dos anos 80/90 (apesar do Yuck ser de Londres), mas fazia tempo que não ouvia um álbum de estréia com tanto peso e energia. Músicas cheias de guitarras distorcidas pra acompanhar fazendo air guitar, intercaladas com semi-baladas dor-de-cotovelo de vocal triste. Acho importante mencionar que o visual da banda é bem bacana. Músicas de destaque: “The Wall”, “Holing Out”, “Operation”.

7. The RaptureIn The Grace Of Your Love. Cinco anos depois de Pieces Of The People We Love, o Rapture voltou com um álbum bem dançante e menos barulhento – as guitarras estão cada vez mais em segundo plano e os sintetizadores dominam a cena. A banda continua flertando com outros ritmos que fogem do dance-punk frenético que marcou seu primeiro trabalho, o que é bem legal. Um álbum maduro, mas nem por isso chato ou pouco contagiante. Músicas de destaque: “How Deep Is Your Love”, “Sail Away”, “Never Die Again”.

6. The KillsBlood Pressures. Hotel e VV continuam sujos, crus, barulhentos, distorcidos e o mais minimalista e lo-fi possível em seu quarto álbum de estúdio. E ainda assim encontram brechas para momentos sublimes praticamente inéditos na carreira do duo, como “Wild Charms” e “The Last Goodbye”. Sem dúvida, esse foi o show que mais me arrependi de não ter visto ano passado (e perdi a VV de cabelo vermelho :/ ) Músicas de destaque: “Nail In My Coffin”, “Heart Is A Beating Drum”, “The Last Goodbye”.

5. GirlsFather Son Holy Ghost. Podem me chamar de riponga à vontade, mas eu gosto dessa vibe meio sixties do Girls. Músicas longas, muito violão, piano elétrico, órgão, riffs e solos de guitarra, letras de amor e melancolia… E, principalmente, arranjos muitos bonitos, acompanhados pela voz quase sussurrada de Christopher Owens – não tem como não sentir um aperto no peito em “Forgiveness”. Daquele tipo de álbum lindo lindo lindo para escutar de cabo a rabo. Músicas de destaque: “Die”, “Forgiveness”, “Vomit”.

4. WilcoThe Whole Love. O Wilco é uma das bandas mais requisitadas para a programação de shows no Brasil em 2012 (virou até meme – http://iswilcocomingtobrazil.com). Também, pudera: The Whole Love está repleto de boas canções, alternando a tradicional pegada country da banda com rocks bem enérgicos. A última faixa, “One Sunday Morning”, é uma obra-prima, mesmo com seus mais de 12 minutos de duração. Músicas de destaque: “One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend)”, “I Might”, “Dawned On Me”.

3. RadioheadThe King Of Limbs. Sim, sou fã xiita do Radiohead, mas reconheço que Thom Yorke e sua turma voltaram sem muitas novidades. Ainda assim, The King Of Limbs foi um dos álbuns que mais gostei em 2011. As guitarras deram mais espaço para efeitos e synths e as batidas estão cada vez menos “orgânicas” e mais sincopadas, o que fez com que a banda adicionasse o músico Clive Deamer como segundo baterista nos shows. Disco bem diferente de seu antecessor, e eu não esperaria menos que isso. Músicas de destaque: “Separator”, “Morning Mr. Magpie”, “Lotus Flower”, “Bloom”.

2. MetronomyThe English Riviera. Nunca tinha dado muita bola para o Metronomy, mas o som tipicamente inglês de The English Riviera (no pun intended) me conquistou na primeira audição. Músicas que misturam um pouco de Roxy Music com new wave com New Order com uns lances experimentais, tudo conduzido por linhas de baixo empolgantes, vocais bem trabalhados e sintetizadores no lugar certo, sem grandiloquismo. Álbum de muito bom gosto, feito por quem entende da coisa. Músicas de destaque: “Everything Goes My Way”, “The Look”, “The Bay”, “Some Written”, “Love Underlined”.

1. Arctic MonkeysSuck It And See. Confesso que sempre torci um pouco o nariz para o Arctic Monkeys. Achei os dois primeiros discos divertidos, mas nada demais. Foi com o projeto Last Shadow Puppets que comecei a prestar mais atenção no Alex Turner e a partir do terceiro disco dos Monkeys, Humbug, de 2009, me apaixonei pela banda. Melodias mais elaboradas, letras mais interessantes e um notável desenvolvimento no vocal de Turner. Suck It And See coroou esta evolução: um álbum muito bem produzido (os efeitos e a mixagem das guitarras são excepcionais), com um tom deliciosamente vintage e cheio de hits incríveis. O Arctic Monkeys provou que é possível continuar sendo uma banda divertida e instigante ao aprimorar seu som sem se tornar boring. Músicas de destaque: “Reckless Serenade”, “Suck It And See”, “She’s Thunderstorms”, “Library Pictures”, “The Hellcat Spangled Shalala”.

Menção honrosa: Manic Street PreachersNational Treasures: The Complete Singles. Não pude incluir este álbum na lista oficial por não tratar-se de um álbum de inéditas, e sim uma coletânea de todos os singles lançados pela banda desde “Motown Junk” (1991) até a versão bacanuda de “This Is The Day” do The The (2011).  Quem me conhece sabe que Manic Street Preachers é minha banda de coração, e quem gosta de mim vai me dar a caixa em edição limitada com todos os 38 singles em vinil, dvd com todos os clipes, os vinis 7″ de New Art Riot e Suicide Alley e o batom com espelhinho *-*

O misterio de Lana Del Rey

Por Fabricio Renovato 17 Feb 2012 Comments
O misterio de Lana Del Rey

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Lana Del Rey apareceu do nada no meio do ano passado e BUM, de repente todo mundo só falava nela. O video (supostamente feito por ela) de “Video Games” teve milhões de acessos, a moça virou uma celebridade tão grande que pulou do You Tube imediatamente para as páginas de revistas de musica de todo mundo.

À medida que o tempo foi passando, começou a aparecer a verdade sobre a moça: ela já tinha lançado um álbum em 2008 com o seu nome, Lizzy Grant – e sem os lábios enormes que causaram comoção nas redes sociais. Detalhe: o álbum foi tirado da loja do iTunes assim que saiu o single de “Video Games”.

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Depois de tanto buzz, finalmente foi lançado o álbum de estreia de Lana, “Born To Die”, com o single do mesmo nome puxando o disco, com direito a clipe com tigres numa igreja, baseado a dois e, claro, ela morrendo no fim numa pose meio Pietà.

Mas o álbum sobrevive ao hype? Sim. O disco mostra mais claramente que a moça (que assinou com uma major) é um produto, assim como todas as outras Gagas, Brits e Rihannas que se instalaram nas paradas de sucesso. A diferença é o som: a propria Lana se define como “Nancy Sinatra gangsta” e isso está lá, envolvido num pop mais sombrio e orquestrado, MUITO produzido e que deixa claro que a artista é um investimento grande para tentar alavancar não só a sua carreira, mas também a propria industria fonografica, com a venda de discos. Com Adele vendendo mais de 10 milhões de cds mundo afora, era hora de apostar numa jovem bonita, carismatica e a estrategia de lançamento foi extremamente bem sucedida.

O disco em si tem otimos momentos (“Born To Die”, “Video Games”, “Blue Jeans”) mas engasga em alguns outros, onde a persona mezzo pin-up mezzo boneca não casa com a musica (“National Anthem”, “That Is What Makes Us Girls”). Mas, em comparação com as gasguitas citadas acima, Lana/Lizzy mostra ter mais a oferecer. Os arranjos, em sua maioria, são de inegável bom gosto, embora superproduzidos e Lana (exceto no SNL) mostrou que sabe cantar, embora alegue que prefere trabalhar em estudio.

Dê uma chance à moça. Ela parece merecer.

Bon Iver e o reconhecimento (tardio e estranho)

Por Fabricio Renovato 16 Feb 2012 Comments
Bon Iver e o reconhecimento (tardio e estranho)

Bom dia, pessoas.

Vou começar meus trabalhos aqui neste humilde tablete falando de um rapaz que lançou dois álbuns super aclamados pela crítica e pelo publico, mas que por essas estranhas coisas da industria de entretenimento, só teve seu reconhecimento agora.

Ladies and Gentlemen, Mr. Justin Vernon. Mas pode chama-lo de Bon Iver.

O homem que veio do frio.

O primeiro álbum dele, “For Emma, Forever Ago” (2007) tem uma lenda que o ronda: ele teria sido totalmente criado numa cabana cercada de neve no Wisconsin. De fato, ele estava lá se recuperando do fim de uma banda, de um relacionamento e de uma mononucleose. Depois de criada a ideia do album, ele criou o álbum, lançado em pequena escala mas recebido com grande entusiasmo.

“For Emma…” é daqueles albuns que te ganham de cara ou você detesta, também na hora. Extremamente melancólico, o cd poderia ser apontado como possivel sinônimo para a palavra “agridoce” em qualquer dicionario, por ser triste e doce, mas ao mesmo tempo transmitindo uma sensação de paz e conforto pra quem o ouve e abre seu coração.  Pode parecer piegas, mas a verdade é que não tem muito como descrever “For Emma…” de outro jeito.

Depois disso, Justin fez colaborações com Kanye West e St. Vincent e esse ano veio com seu segundo trabalho, que leva seu nome. E o álbum consegue ser ainda melhor do que o primeiro. Mais variado musicalmente, mais encorpado e com canções de fazer até o Homem de Lata ficar com o coração partido.

E ainda por cima tem o video mais bonito do ano de 2011, sem sombra de duvida: “Holocene“.

A consagração veio em seguida: álbum do ano do Pitchfork, presença garantida nas listas de 10 mais de todas as publicações de musica nos EUA e Reino Unido e, finalmente, a industria fonografica o indicou a quatro Grammys e ele levou dois: Melhor Novo Artista (batendo o cupcake do inferno, a favorita Nicky Minaj) e Melhor Álbum Alternativo, vencendo os queridinhos do verão Foster The People e o preguiçoso novo cd do Radiohead.

Bon Iver e os Grammys: like the honey badger, he just doesn´t care.

Mas dar prêmio de melhor NOVO artista a alguém que já tá na luta há tanto tempo? Com dois cds consagradíssimos? Coisas de industria, que se move como os brontossauros que só percebem que o rabo está pegando fogo quando não restou mais nada.

Parabéns, Justin. Obrigado por fazer a gente sofrer gostoso.

Joanna Newsom – Have One On Me

Por Rodrigo Cruz 15 Feb 2012 Comments

Quis começar meus trabalhos no Tablete Hipster resgatando uma resenha que escrevi para minha lista perdida de melhores álbuns de 2010 (não sei onde guardei a bendita). Talvez a resenha tenha ficado um pouco séria demais, pretendo escrever de forma um pouco mais light daqui pra frente.

JOANNA NEWSOM
Have One On Me
2010, Drag City (USA)

Nota: 5 de 5

Faixas de destaque: “In California”, “Soft As Chalk”, “Good Intentions Paving Company”, “Esme”, “Does Not Suffice”

Três anos após o lançamento de seu badalado álbum Ys, Joanna Newsom se preparava para gravar novo material quando descobriu que estava com nódulos nas cordas vocais. Apesar de grande parte das músicas de seu novo álbum já estarem prontas nessa época, ainda acho que a angústia do silêncio compulsório permeia cada momento de Have One On Me.

Dezoito músicas com média de 7 minutos de duração cada e letras muito longas, formando um álbum triplo (fato que muitos críticos consideraram “ambicioso demais” à época do lançamento). Em nenhum momento o álbum torna-se cansativo ou enfadonho, mostrando que Joanna realmente tinha muito a dizer.

Comparados a seus trabalhos anteriores, os arranjos foram inovados com uma discreta percussão e a adição de guitarra, banjo, trombones e instrumentos étnicos como tambura e kaval – tudo de forma muito discreta e comedida, pois é preciso espaço para que a voz, a harpa e o piano de Joanna reinem. Os arranjos orquestrais estão presentes, mas também concisos – diferente dos arranjos grandiloqüentes de Van Dyke Parks usados em Ys.

Após sua recuperação dos problemas vocais, ficou claro que a voz de Joanna tinha mudado: parece mais madura, e seu jeito de cantar também. Apesar do timbre muito particular que a fez famosa em seu primeiro álbum, The Milk-Eyed Mender, ainda estar presente, com direito a alguns gritos esganiçados, é nos sussurros e momentos calmos que ela constrói a atmosfera de Have One On Me.

Nas letras, Joanna nunca foi tão confessional, mostrando-se uma mulher apaixonada (“I am easy / Easy to keep / Honey, you please me even in your sleep”) , mas ao mesmo tempo frustrada (“How I said to you, honey, just open your heart / When I’ve got trouble even opening a honey jar”) e às vezes submissa (“Say, honey, did you belong to me / Tell me, honey, did I pass your test”).

O grande momento de Have One On Me, para mim, é “In California”. Identificação total com o momento pelo qual eu passava. Nada me fez chorar mais em 2010 do que ouvir essa música. Para mim, a melhor música de 2010 está no melhor álbum de 2010. Ouvir Have One On Me, em particular “In California”, é viver uma experiência íntima dentro da alma de uma outra pessoa, enquanto você procura nela traços que na verdade são seus.

I want my hype in money!

Por Rodrigo Cruz 15 Feb 2012 Comments

Bem vindos ao Tablete Hipster, mais um blog escrito por gente que gosta de ouvir música e de falar de música (não só disso, mas de tudo relacionado a cultura alternativa e cultura pop que a gente queira comentar e meter o bedelho).

Este blog é feito por um publicitário-músico e um jornalista-escritor, mas a gente jura que é legal e que vai tentar escrever de forma leve e descontraída. Afinal, quem se leva a sério demais acaba sendo chato demais :p

Esperamos que leiam, gostem, comentem, divulguem, critiquem, elogiem, chamem a gente de idiota quando for cabível etc. O importante é saber que tem alguém lendo, hehe.

 

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